Family office e patrimônio multigeracional: Rodrigo Gonçalves Pimentel explica quando uma família precisa de uma estrutura própria de gestão

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Rodrigo Gonçalves Pimentel

Existe um momento na trajetória de famílias com patrimônio relevante em que os instrumentos convencionais de gestão financeira deixam de ser suficientes. Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado e filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, é direto nesse ponto: bancos, gestoras independentes e assessores isolados atendem bem a uma parte do problema, mas nenhum deles foi desenhado para cuidar do conjunto. É exatamente aí que o family office deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade estrutural.

A gestão de patrimônio multigeracional envolve dimensões que vão muito além da alocação de investimentos. Envolve governança, planejamento sucessório, proteção patrimonial, gestão de participações societárias, coordenação entre herdeiros e uma visão de longo prazo que nenhum produto financeiro isolado consegue entregar.

Se o seu patrimônio já atingiu um nível de complexidade que dificulta a gestão centralizada, este artigo traz perspectivas relevantes sobre quando e como estruturar um family office.

O que é um family office e o que ele realmente faz?

O termo family office é usado de formas muito diferentes, dependendo do contexto. Na prática, trata-se de uma estrutura dedicada exclusivamente à gestão dos interesses patrimoniais de uma família, reunindo sob uma mesma coordenação a gestão de investimentos, o planejamento tributário, o controle de participações societárias, o planejamento sucessório e, em muitos casos, a administração de bens imóveis e outros ativos não financeiros.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Diferente de uma gestora convencional, o family office não tem conflito de interesse com produtos financeiros de terceiros. Sua função é exclusivamente servir aos interesses da família, e tal como Rodrigo Gonçalves Pimentel destaca, essa independência é um dos principais ativos da estrutura, especialmente em famílias com patrimônio diversificado e múltiplos herdeiros com interesses distintos.

Single family office ou multi family office: qual faz mais sentido?

A decisão entre criar um family office exclusivo para a família ou aderir a uma estrutura compartilhada com outras famílias depende basicamente do volume patrimonial e da complexidade das necessidades envolvidas.

O single family office, estrutura dedicada a uma única família, faz sentido a partir de determinado patamar patrimonial, geralmente acima de 50 a 100 milhões de reais em ativos sob gestão, quando os custos fixos da estrutura são justificados pela escala e pela complexidade das demandas. Abaixo desse patamar, o multi family office oferece acesso às mesmas competências com custo compartilhado. Rodrigo Gonçalves Pimentel orienta que a escolha deve ser guiada pelo que a família realmente precisa gerir, não pelo prestígio associado a ter uma estrutura própria.

Como o family office se conecta ao planejamento sucessório?

Uma das funções menos discutidas do family office é seu papel no planejamento sucessório. Em famílias com patrimônio complexo, a sucessão não pode ser tratada como um evento isolado cuidado por um advogado e um contador. Ela precisa ser um processo contínuo, integrado à gestão cotidiana do patrimônio.

O family office cria esse ambiente de continuidade. Ele mantém o mapa atualizado de todos os ativos, acompanha as estruturas societárias, monitora mudanças tributárias relevantes e garante que as decisões de curto prazo não comprometam o planejamento de longo prazo. Rodrigo Gonçalves Pimentel reforça que famílias com essa estrutura chegam ao processo de transição geracional muito mais preparadas do que aquelas que tratam sucessão e gestão patrimonial como temas separados.

Governança dentro do family office: quem decide o quê?

Um family office sem governança clara reproduz dentro de sua própria estrutura os mesmos problemas que existem para resolver. Definir quem tem autoridade para tomar decisões de investimento, quais deliberações exigem consenso entre os herdeiros, como conflitos de interesse são tratados e de que forma a gestão presta contas à família são questões que precisam ser respondidas antes que a estrutura entre em operação.

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Rodrigo Gonçalves Pimentel trabalha com a visão de que o family office precisa ter seu próprio sistema de governança, separado e complementar à governança das empresas operacionais da família. Sem isso, a estrutura criada para organizar o patrimônio se torna mais uma fonte de conflito.

Renda passiva e transformação de ativos operacionais: o papel do family office

Um dos objetivos mais relevantes do family office em famílias empresárias é conduzir a transição gradual de ativos operacionais para fontes de renda passiva. Empresas que geraram riqueza ao longo de décadas nem sempre são o melhor veículo para preservá-la nas gerações seguintes, especialmente quando os herdeiros não têm interesse ou preparo para operar o negócio.

Nesse contexto, o family office coordena o processo de capital recycling, avaliando quando faz sentido desinvestir de ativos operacionais, como reinvestir os recursos em estruturas mais adequadas ao perfil da família nas gerações seguintes e como garantir que a renda gerada pelos ativos seja distribuída de forma eficiente e sustentável. Rodrigo Gonçalves Pimentel destaca que esse processo, quando bem conduzido, transforma empresas familiares em dinastias patrimoniais com capacidade real de perpetuação.

Educação financeira dos herdeiros: função estratégica do family office

O patrimônio que chega às mãos de herdeiros sem preparo adequado tende a se deteriorar rapidamente. Nesse quesito, a educação financeira das gerações seguintes é uma das responsabilidades mais importantes de um family office bem estruturado, e uma das mais negligenciadas.

Essa educação vai além de ensinar sobre investimentos. Envolve compreensão das estruturas societárias da família, leitura de demonstrativos financeiros, entendimento dos riscos associados ao patrimônio e, principalmente, desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade em relação ao que foi construído pelas gerações anteriores. O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel orienta que herdeiros bem preparados são o principal ativo de uma família com pretensão de perpetuidade patrimonial.

Patrimônio que se perpetua precisa de estrutura, não de sorte

Famílias que preservam riqueza ao longo de múltiplas gerações não o fazem por acidente. Fazem porque construíram estruturas adequadas, definiram regras claras, profissionalizaram a gestão e trataram o patrimônio como um sistema que precisa de manutenção contínua. O family office é uma das peças centrais desse sistema quando o patrimônio atinge determinado nível de complexidade.

Rodrigo Gonçalves Pimentel é enfático nesse ponto: patrimônio multigeracional não se preserva com boa intenção. Preserva-se com arquitetura. A arquitetura precisa ser construída com antecedência, por quem entende que o objetivo não é apenas passar o patrimônio adiante, mas garantir que ele chegue às próximas gerações com a mesma força com que foi construído.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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